segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Fuga para as colinas roxas

Em um longo janeiro chuvoso
eu via a chuva pela janela,
mas não era uma chuva normal
e sim uma chuva negra.
Andando pelas ruas eu via os rostos das pessoas,
parecia que nenhuma via umas as outras.
Seus rostos eram fisicamente diferentes,
porém apresentavam olhos e feições iguais.
Enquanto eu era ignorado
eu percebia que nossas vidas eram decididas por algo,
quem é aquele que nos manipula?
O que é aquilo que nos faz de marionete?
Será que é o destino personificado?
Em tempos de crise todos se agarram com as crenças que os conforta.
Pessoas viram deuses e mitos viram realidade.
Cada um começa a só se ver
e no final todos se armam para lutar,
não importa com quem seja.
Eu me congelo vendo essas cenas cruéis
e percebo que a vida em si é uma guerra mascarada.
Ao olhar pra realidade,
é como se o que arquiteta tudo isso quisesse me eliminar,
porém prefiro morrer em pé a me entregar.
Por andar sozinho me sinto incompleto.
Sem ninguém ao meu lado para ouvir um simples
“Eu estou com você”
Parece que me sinto incapaz.
Lá em Violet Hill uma vez um soldado fugiu com a esposa,
mas foi lá também que ela deixou esse mundo.
Será que lá eu encontro quem eu procuro
e assim lutar com o que tenta me eliminar?

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